Já faz um tempão que eu não posto nada aqui no blog, então resolvi criar animo e escrever algo…
A vida anda muito corrida, ralando muito no trabalho (trabalhando uma “mérdia” de 10 a 12 horas por dia) mas também tenho momentos descontraídos, aonde relaxo bastante e agradeço o fato de estar viva! Fiz novas amizades, conheci novos lugares e tenho provado minha competência, capacidade e responsabilidade tanto para a empresa quanto pra minha família.
O título deste post é o refrão de uma música do Tom Jobim, que meus avós paternos gostavam e minha avó cantava sempre. Eu cresci passando finais de semana na casa deles, tomando café da manhã enquanto escutávamos a Rádio Jornal do Brasil FM, que tocava sempre essa música, entre outras favoritas deles. Este post é dedicado ao meu avô, Waldyr.
Eu perdi meu avô paterno ha quase 6 meses atrás… Esse era meu avozão, padrinho, paizão, confidente, incentivador, patrocinador, enfim, meu herói. Meu avô estava presente em todos os momentos de minha vida, mesmo quando eu me mudei pra cá e vim morar a milhares de milhas distante de minha família. Era ele quem me incentivava nos estudos e quando eu tirava nota ruim, ele dizia: “minha neta, você não tem brios?” e me dava conselhos. O meu avô foi um excelente pai, marido, avô, sogro, filho e irmão exemplar, modelo de cidadão, que dedicou anos de sua vida ao Exército e depois a carreira acadêmica, como professor da Escola de Engenharia da UFRJ e décadas de dedicação à Comissão Nacional de Energia Nuclear e mesmo depois de aposentado não parou de trabalhar, sendo auditor do IBQN.
Ele foi um homem brilhante, super educado, fino, viajado, com um vasto conhecimento de culturas e assuntos. Uma verdadeira fonte de sabedoria. Ele estava sempre preocupado com a família, era o nosso patriarca e tinha gosto em exercer este papel em nossas vidas. Dava broncas quando achava que tinha que dar e todo muito respeitava. Eu já desapontei meu avô algumas vezes, mas sempre demos a volta por cima e ele me perdoava e eu a ele, porque a nossa ligação era muito profunda e especial. Eu fui a primeira neta, afilhada e ele esperava de mim sempre o melhor, que eu fosse um modelo para os outros netos. Eu nem sempre fui modelo a ser seguido, tive meus momentos de rebeldia, de santa do pau oco, mas ele me aceitava do jeito que eu sou.
Eu demorei 6 meses para escrever sobre isto. Seis meses tomando coragem e pensando sobre o que escrever a respeito de um homem que foi tão especial, tão extraordinário. O que escrever sobre alguém que marcou presença de maneira inexorável e permanente em sua vida? Uma pessoa que te deu memórias maravilhosas, uma infância formidável, repleta de aventuras, conhecimentos e muito amor e carinho? Meu avô adorava viajar, mas de maneira em que os netos, minha avó querida e ele pudessemos absorver cultura e conhecimento. Uma vez, ele desviou do caminho em uma viagem que fizemos a São Lourenço, Caxambú e Poços de Caldas, pra levar minhas primas eu até a fábrica do Ovomaltine, porque ele sabia que a gente adoraria! Ele sempre incentivou meu amor por História, mas me lembrava que eu deveria pensar no futuro, em ter um diploma de “curso nobre”, pra garantir um futuro. Eu o desapontei neste aspecto, mas sei que ele estava muito orgulhoso de mim e de meu trabalho aqui, nos ultimos meses de vida. Ele sabia da minha luta e tinha muito orgulho de mim, da minha “bravura”. Eu provei que sou uma lutadora e herdei esta qualidade dele. Ele é o grande motivo de minha decisão em voltar a faculdade e terminar o que eu comecei no Brasil. Eu quero ser tudo aquilo que meu avô sonhou de bom pra mim.
Eu sofri muito, na verdade ainda sofro, com o sentimento de culpa por ter prometido vê-lo no Brasil e não ter cumprido a promessa. Eu deixei meus medos e receios pós separação me dominarem e me afundei em trabalho. Eu poderia ter sido mais energetica em relação a renovação de meu passaporte com o Consulado (longa história) e ter sido corajosa do jeito que ele me via, encarando meus medos a respeitos da ameaças que meu marido me fazia em relação ao meu greencard e meu status de residente neste país. Mas eu permiti que o medo controlasse a minha vida e com isso perdi a chance de ver meu herói, de abraça-lo, beija-lo, dizer o quanto eu o amo e o quão importante ele é para mim. Eu perdi a chance de me despedir de meu avô.
Toda vez que eu ligava pra ele, ele me perguntava quando eu iria voltar e falava triste, é fazem mais de 6 anos já… Ele se lembrava de minha avó, que sempre falava de mim, perguntava por mim, e começava a chorar de saudades dela. Meus avós foram casados por mais de 60 anos. Eles eram parceiros de vida, se conheciam como as palmas das próprias mãos. As vezes eles discutiam que nem duas crianças, mas um não sabia viver sem o outro. Eu acho que meu avô desistiu de esperar por minha visita, porque ele não aguentava mais de saudades de minha avó, que havia partido quatro anos antes. Ele estava sofrendo muito longe dela e agora eles estão juntos e felizes, protegendo a nossa família, olhando por nós. Eu sinto a presença deles, principalmente nos momentos difíceis em que eu quero jogar a toalha e desistir de tudo. Eu sinto como se eles estivesse por perto dizendo pra eu não desistir, que as coisas vão melhorar. Eu escuto a voz dele dizer que quem desiste é fraco e ele não tem ninguém covarde e fraco na família dele. Eu escuto a voz dele dizendo, ”Você não tem brios? Cade seu orgulho?”. Então eu sigo em frente, tentando faze-lo orgulhoso dessa neta “ovelhinha negra”.
É tão irônico e doloroso o fato de eu ter me despedido de meus avós maternos, mas não de meus avós paternos… Eu não estava mais presente quando eles partiram deste mundo, mas eles tiveram um papel mais ativo e presente em minha vida. Doi muito carregar este sentimento de perda e culpa todos os dias.
Então, hoje eu deixo registrado o meu amor e orgulho do meu avô, o “Coronel”, ”Doutor”, “Professor”, “Seu Waldyr” ou simplismente vô, vozinho, vovô. e nos últimos tempos, meu véinho!
Vô, eu te amo hoje e sempre! Saudades eternas de uma neta e fã!


Tristeza não tem fim
Felicidade, sim…
A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar…
A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento do sonho
Pra fazer a fantasia de rei, ou pirata, ou jardineira
E tudo se acabar na quarta-feira
Tristeza não tem fim
Felicidade, sim…
A felicidade é como a gota de orvalho
Numa pétala de flor
Brilha tranqüila
Depois de leve oscila
E cai como uma lágrima de amor
A minha felicidade está brilhando
Nos olhos da minha namorada
É como esta noite
Passando, passando
Em busca da madrugada
Falem baixo por favor
Pra que ela acorde alegre como o dia
Oferecendo beijos do amor
Tristeza nao tem fim
Felicidade, sim…