Eu tenho observado os debates na tv e discutido sobre o assunto “Eleições Presidenciais 2008″ com colegas de trabalho. Por exemplo, eu tenho colegas que estão votando ou torcendo (por não serem ainda naturalizados) pro Barack Obama vencer. Outros estão apoiando a Hillary Clinton e existem os que estão a favor de Ron Paul, o candidato republicano com visão muito progressista/liberal, que não condiz muito bem com os ideais e diretrizes do partido dele. Existem, óbviamente, os indecisos que estavam inclinados a votar em John Edwards (com quem eu também simpatizo), mas com a súbita decisão do candidato em se afastar da corrida presidencial, esse povo agora está parecendo surdo em show de heavy metal: não entedem o que está acontecendo ao redor mas sacodem as cabecinhas pra tudo quanto é lado, imitando os outros pra não ficar mal na fita.
Outro dia, durante um almoço com alguns colegas, o assunto eleições foi abordado e eu fiquei muito curiosa em saber a opinião deles. Vocês vejam bem, eu me mudei de um estado maciçamente republicano (se bem que Memphis era um reduto democrata) para outro estado considerado republicano, para uma cidade ultra-liberal e reduto democrata. Então, pra bem dizer a verdade, não achei muita diferença, exceto que agora estou sozinha, sem o marido que não era registrado em nenhum partido mas possuia fortes tendencias republicanas, e a família extremamente republicana dele. Eu particularmente nunca tive uma inclinação mais forte para um ou outro partido, o que talvez me faça uma futura “possível eleitora independente”, mas tenho que admitir que meu ex-marido (e os pontos de vista dele) mantinha uma certa influência em meus pontos de vista políticos.
Bom, encurtando o assunto, eu gostei muito do que meus colegas Pro-Ron Paul e até mesmo os Pro-Democratas tinham a dizer sobre Ron Paul, aliás, ninguém disse nada de ruim, somente elogios e muita admiração. Gostei tanto que resolvi procurar saber mais sobre este congressista e médico, que até mesmo os democratas simpatizam. Existe muita brincadeira com a sonora semelhança entre o nome dele e do artista transexual RuPaul. Inclusive, ele leva isso tudo com muita brincadeira e bom humor.
O plano de revitalização econômica da campanha dele, o ”Prescription for prosperity” foi bem planejado e é um dos mais decentes nesta corrida… É fato de conhecimento mundial que estamos entrando um período de crise econômica, que tem alarmado e preocupado muitos especialistas na área e obviamente, toda a nação (incluindo esta imigrante legal que vos escreve). A posição dele a respeito da “Guerra ao Terrorismo”, guerras no Iraque e Afeganistão e uma possível guerra contra o Irã, me impressionaram muito, por não ser o que se esperaria de um candidato republicano. Aliás, eu acho que ele está muito mais pra liberal independente do que pra republicano, já que de capitalista conservador ele não possui quase nada. Ele é Pro-Life (contra o aborto), o que eu acho que é de se esperar de um médico, mas respeitador dos que são Pro-Choice.
Ron Paul votou contra o Patriot Act, contra a invasão do Iraque, a regulamentação da internet, aumentos “salariais” para congressistas e senadores, além de sempre ter votado a favor de impostos mais justos e menores, entre muitas outras coisas. O histórico dele é praticamente perfeito, sem escandalos de qualquer tipo e mais um ponto a favor, sem nenhuma obsessão/fanatismo religioso, ao contrário de Mitt Romney e Mike Huckabee, que muito me assustam. John McCain apesar de ser uma pessoa com um bom currículo político, seria um pau mandado do partido republicano, o que eu não vejo com bons olhos. Obama não conseguiu me cativar e eu acho a Hillary uma pessoa muito sombria , com um passado sujo e do qual sabemos muito pouco, ou como dizem aqui, “with a shady past”. Sim, porque tem muita coisa que os Clintons escondem e o povo ainda não sabe. A cada dia que passa, surge um video, um documento ou depoimento a tona, mostrando atividades nada bacana por parte de Hillary ou Bill. Sem falar que ela era board member do Wal-Mart, que é uma das empresas (“do lado negro da força”) que mais se aproveitam dos empregados, com altos abusos e ainda levando vantagem do governo… E ainda mais agora que a Ann Coulter disse que apoiaria a Hillary caso a disputa final fique entre Clinton e McCain. John Edwards seria minha primeira opção de voto, mas infelizmente ele resolveu se afastar da corrida… Uma decisão sensata, mas que muito me entristece. Ele não teve sorte como vice na campanha do John Kerry e agora então, nem se fala, com a corrida bem definida entre Obama e Clinton pela posição a candidato presidencial democrata…
Na minha humilde opinião, um canditado eleito deveria se disconectar, pelo menos ao nivel de decisões cruciais e importantes para a nação, de seu partido de origem e também se manter neutro a respeito de qualquer outro partido, para ter a autonomia e discernimento necessários em assuntos vitais e extremamente importantes. Ou seja, um dos pontos principais do Liberalismo, corrente política que prega que o melhor governo é aquele que governa o mínimo possível. Um presidente que se deixe manipular pelo seu partido acaba por criar disvantagens para seu governo e problemas para o seu povo. Concorde quem quiser, eu acredito nisto e assino embaixo (ou é em baixo?)! E é justamente isto que eu vejo em Ron Paul, um homem que não se deixa mandar pelo partido, um libertário. Tanto é que o apelido dele é “Dr. No” e não é à toa.
Portanto, fica aqui registrado o meu carisma por Ron Paul, o candidato que teria o meu voto se eu já fosse naturalizada e apta a votar. Ron Paul 2008, Hope for America!
